No Montijo, a saúde não se corta. Defende-se.

No Montijo, a saúde não se corta. Defende-se.

Nos últimos anos, o Montijo cresceu, acolheu novas famílias, atraiu investimento e consolidou-se como um território essencial dentro da Área Metropolitana de Lisboa. O desenvolvimento económico, a melhora das ligações e os projetos previstos para a próxima década mostram com clareza que o Montijo não é um concelho periférico: é um centro urbano emergente, com responsabilidades e exigências próprias.

É justamente por isso que a possibilidade de encerramento das urgências do Hospital do Montijo é tão perturbadora. Não apenas pelo risco evidente para a população, mas pelo modo silencioso com que esta opção parece estar a ser preparada.

Nenhum contacto institucional foi feito com esta União de Freguesias. Nenhuma explicação, nenhum pedido de parecer, nenhum diálogo. Decisões desta magnitude não se tomam assim – longe das pessoas e sem respeito pelas instituições locais que as representam.

A urgência hospitalar não é um detalhe administrativo. É o serviço que atua nas primeiras horas, em situações de doença aguda, que responde quando o tempo é decisivo. Reduzir ou eliminar esta capacidade num concelho em crescimento acelerado é, no mínimo, uma decisão incompreensível.  Mais incompreensível ainda é o aparente afastamento da população deste debate. Os montijenses não foram ouvidos.

A saúde pública não pode ser guiada exclusivamente por contas de gabinete. Quem vive no Montijo sabe bem que o Hospital desempenha, há décadas, uma função de proximidade. Retirar-lhe a urgência ou outros serviços é amputar parte dessa missão. Num concelho que se prepara para receber mais população, mais mobilidade, mais projeção metropolitana – e potencialmente até novas infraestruturas aeroportuárias -, fechar serviços essenciais não é planificação: é retrocesso.

A resposta que a população merece não passa por desativar. Passa por reforçar. Reforçar os meios. Modernizar equipamentos. Reorganizar de forma inteligente. Garantir proximidade e eficácia. A saúde não é uma área onde se possa cortar sem consequências.

Enquanto Presidente da União de Freguesias do Montijo e Afonsoeiro, afirmo com total clareza: a Freguesia estará sempre ao lado da sua população. Estaremos onde for necessário, com a firmeza que a situação exige, a defender os interesses legítimos de quem vive e trabalho no concelho. Exigimos explicações transparentes, fundamentadas e imediatas para que todo este processo seja esclarecido sem ambiguidades.

O Montijo merece respostas – e a União de Freguesias não deixará de as exigir em nome da comunidade que representa.

Vasco Fernandes

Presidente da Junta de Freguesias da União de Freguesias de Montijo e Afonsoeiro

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